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Temporárias

© Arguiñe Escandon

Baldellou, Espanha © Mikel Bastida

NOVOS VALORES DA FOTOGRAFIA ESPANHOLA 

26 NOV – 1 ABR

 

O presente e o futuro da fotografia.

Nesta exposição, fizemos uma selecção de meia centena de alunos (as) que passaram pelo Mestrado Internacional da EFTI e que agora nos apresentam os seus trabalhos.

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Gonzalo Torrente Ballester e Jorge Luis Borges, dois dos literatos mais representativos a nível mundial do Séc. XX, a conversar em frente à Giralda, Sevilha, 1987 © Juantxu Rodriguez

Eduardo Úrculo, Santander, 1984 © Juantxu Rodriguez

 

FOTOGRAFIAS QUE FALAM POR SI

26 NOV – 1 ABR

 

A Exposição “Fotografías que hablan solas” (“Fotografias que falam por si”), foi criada para homenagear o percurso profissional de Juantxu Rodríguez, por parte dos seus amigos e colegas que quiseram fazer o merecido reconhecimento de uma obra que dignifica uma profissão.

 

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Combatentes da Aliança Oriental a bordo de um tanque dirigem-se para a linha da frente, nas montanhas de Tora Bora. 12 de Dezembro de 2001

Retrato de João Silva © Jérôme Delay

 

“João Silva – Afeganistão”

de 7 de janeiro a 25 de março

A história ensina, àqueles que lhe queiram dar ouvidos, que qualquer guerra liderada por uma força estrangeira no Afeganistão não pode ser ganha. Por isso, não é surpreendente que o cliché “cemitério de impérios” se aplique frequentemente àquele país.
Referindo-se à desastrosa Segunda Guerra Anglo-Afegã, Rudyard Kipling, escreveu:
Quando fores ferido e abandonado nas planícies do Afeganistão,
E as mulheres saírem para esquartejarem aquilo que resta,
Volta-te, escarnecendo, para a tua espingarda e rebenta os miolos
E parte para o teu Deus como um soldado.

Visitei pela primeira vez o Afeganistão no Outono de 1994, quando grassava uma guerra civil entre facções Mujahedin depois da retirada das forças soviéticas, cinco anos antes. O mundo com o qual me deparei, enquanto desempenhava uma tarefa que me tinha sido atribuída, agarrou imediatamente a minha imaginação e, até hoje, ainda não me largou. Nessa altura, a capital, Cabul, fragmentava-se em feudos controlados por líderes militares cujas forças Mujahedin, bem armadas, estavam a reduzir grande parte da cidade a escombros. Milhares de civis fugiam para campos de refugiados que se avolumavam no vizinho Paquistão e aqueles que não conseguiam fugir, ou escolhiam ficar, estavam sujeitos a bombardeamentos diários, a violações dos direitos humanos e à fome.
Enquanto fotografava a pura selvajaria dessa guerra pensei, ingenuamente, que entendia o que Kipling queria dizer, mas não fazia a mínima ideia. Com a minha curta tarefa terminada, deixei o Afeganistão para fotografar outras guerras e a vida noutras zonas de África. Não regressei até 1999, desta vez no âmbito de uma tarefa para o jornal The New York Times.
Nesses cinco anos, o Afeganistão tinha-se alterado sob muitos aspectos, mas a guerra continuava a ser uma constante. O tirânico governo Talibã controlava grande parte do país com uma mão de ferro, protegida pela luva da retórica islâmica. No extremo norte, Ahmad Shah Massoud, o líder espiritual e militar que outrora era chamado de “Leão de Panjshir” pelo papel que desempenhou na expulsão das forças soviéticas do Afeganistão, agarrava-se à sua estreita faixa de território situada ao longo do Vale de Panjshir. Fotografar Massoud foi algo fascinante, quase beatífico, porque este simplesmente ignorava a máquina fotográfica, tornando-a invisível sem nunca lhe negar a entrada. Fotografei as suas sessões de planeamento e os seus momentos de oração. Consegui uma imagem de Massoud a dirigir um combate de artilharia por detrás de um enorme par de binóculos. As forças de Massoud avançavam lentamente em direcção a Cabul, trocando rajadas de fogo de artilharia e mísseis com os seus inimigos mortais. À medida que as forças Mujahedin se aproximavam da capital, as pequenas cidades iam-se transformando em linhas da frente dos combates, com os habitantes a serem forçados, uma vez mais, a abandonarem as suas casas com receio de serem mortos. As férteis planícies de Shomali, emolduradas à distância por majestosas montanhas cobertas de neve, transformaram-se numa terra de ninguém. Quaisquer forças que tentassem atravessar a planura aberta ficavam expostas ao fogo inimigo.

Esta guerra, que passava quase despercebida, passou a ser notícia de primeira página no mundo inteiro pouco depois dos ataques terroristas contra o World Trade Center, na cidade de Nova Iorque, a 11 de Setembro de 2001. Depressa se tornou evidente que o Afeganistão seria novamente invadido por uma força estrangeira e os meios de comunicação social de todo o mundo invadiram as suas fronteiras. No final de 2001, centenas de jornalistas convergiram em direcção ao leste do Afeganistão para observarem e fazerem o registo das colunas de pó que se erguiam dos locais onde centenas de aviões de guerra dos Estados Unidos tinham largado cargas explosivas sobre posições Talibãs, no cimo de uma montanha com vista para Tora Bora. Algures, naquelas cavernas, estava escondido Osama Bin Laden. A aproximação à montanha era controlada pelos combatentes Mujahedin locais, agora aliados dos Estados Unidos, que faziam um bom trabalho mantendo à distância as hordas dos meios de comunicação social. Alguns de nós faziam investidas a diversos locais ao longo da montanha para fotografar árvores com cicatrizes de guerra, cadáveres e cavernas vazias. Havia pouco para documentar além disso e muito menos, certamente, a fotografia que traria fortuna: a do próprio Bin Laden.
A guerra no Iraque desviou a minha atenção do Afeganistão até 2006, quando os Talibãs afirmavam de novo a sua presença e a actividade cinética da guerra parecia, por vezes, consumir ambos os países. Saltei entre os dois até 2010 quando, com a guerra no Iraque a acalmar, decidi regressar exclusivamente ao Afeganistão. Esse regresso foi temporariamente interrompido na manhã de 23 de Outubro de 2010. O dia começou de forma bastante rotineira, a fumar um ou dois cigarros durante um briefing de preparação para uma missão de patrulha, que eu ia acompanhar, de um pelotão 41D ao distrito de Arghandab, na província de Kandahar. Partimos e adaptei-me à rotina de patrulha que me era familiar: olhar para as traseiras dos capacetes dos soldados enquanto se trabalha, tentar não fazer desvios demasiado grandes em relação ao percurso para não se pisar uma mina, ou caminhar até ao momento em que alguém dispara contra nós, que é quando as verdadeiras imagens surgem.
As fotografias de combate que estava a tirar nessa manhã eram o oposto do emocionante. Eram fotografias normais, do quotidiano, de soldados a baterem terreno, daquelas que já pouco se fixavam nas mentes dos que as viam. Eram enfadonhas e eu sabia-o. Talvez isso explique o facto de eu ter continuado a tirar fotografias depois de o meu pé ter tocado numa mina – porque, lá no fundo, eu sabia que não tinha nada.
Aprendi, no entanto, que o tempo mudou algumas coisas acerca do Afeganistão. Ao contrário dos soldados de Kipling, eu não fiquei abandonado à mercê das facas das mulheres afegãs. Um médico tratou das minhas feridas até ao momento em que o helicóptero de evacuação médica aterrou por perto e me levou até um lugar seguro.
Estou vivo.

João Silva
Centro Médico Militar Walter Reed

Breve nota biográfica

João Silva tem trabalhado como fotógrafo, em regime de exclusividade, para o The New York Times desde o ano 2000. Silva associou-se ao Times em 1996 como fotógrafo freelancer e rapidamente passou a ser o fotógrafo do jornal na África do Sul.

Em 2000, Silva foi co-autor do livro “The Bang-Bang Club” e publicou “Na Companhia de Deus” em 2005.

Silva tem desenvolvido extensos trabalhos em países de todo o mundo, nomeadamente na Geórgia, no Líbano, em Israel, no Iraque, no Afeganistão, no Paquistão, na Somália, no Sudão, em Angola e nos Balcãs.

Em Outubro de 2010, Silva ficou gravemente ferido após pisar uma mina quando integrava uma patrulha a pé com soldados americanos da 4ª Divisão de Infantaria no Afeganistão. Encontra-se actualmente a recuperar dos ferimentos no Centro Médico Militar Walter Reed, em Washington D.C., nos Estados Unidos da América.

“Habitar a Escuridão”

de 7 de janeiro a 18 de março

Os cegos tocam instrumentos musicais, cantam, dançam. Crianças e adultos exercitam-se em práticas de ginástica e jogam com bolas grandes e ruidosas. São iguais a todos, mas as forças mais poderosas da sociedade empenham-se em torná-los diferentes, esquecendo-os. Os de cima costumam gastar em nada e a gente do governo nem em nada gasta. Inexperiente e corrupta, simplesmente tira o dinheiro.

Artistas como Marco Antonio Cruz batalham para levar os cegos para longe dos seus esconderijos. A sua câmara prodigiosa segue-os com o amor de pai e irmão. Silencioso, tão simples como modesto, é autor de um livro que intitulou: Habitar a escuridão.
A frase é simples e eloquente. A escuridão habita-se, como se habita a luz. Mas do lado da luz estão as vantagens e os privilégios: a claridade para olhar demoradamente um perfil amado, o milagre das cores que se combinam e recombinam, a glória de eleger: “Gosto de verde”.

Os cegos poderiam aproximar-se desse mundo. Há recursos vastíssimos e um complicado sistema electrónico que decifra com êxito o tom cinzento, a cor sem cor dos cegos, o deserto que os habita sem possibilidade de ir mais além. Mas os equipamentos são muito caros e são tantos os cegos e tão dispersos que é complicado ir em seu auxilio.
O tempo e o espaço não chegariam para me deter nas fotos do livro, simultaneamente belas e terríveis. Terríveis, pelas expressões dos cegos, dolorosas e grotescas; o sofrimento marcado em cada curva do gesto. Belas, porque em alguns rostos o olhar dos cegos não tem igual; um amanhecer sem sombras que sugere a espera tranquila de mais um dia.

Há uma imagem, de uma avó e de uma menina. Das duas, uma vê e a outra é apenas uma misteriosa perplexidade. Não seria fácil precisar quais são os olhos da luz e quais os da escuridão. Fina, providencial, a câmara de Marco Antonio Cruz determinou que os olhos que vêem teriam necessariamente que ser os da menina.

Julio Scherer García

Reconhecimento táctil da peça Serpente de Fogo. Sala Azeteca. Museu Nacional de Antropologia e História. Cidade do México, 2003. © Marco António Cruz

Andrea Islas García. Camponesa, cega por cataratas. Município de Otumba. Estado do México, 1994. © Marco António Cruz

Breve nota biográfica

Marco Antonio Cruz (Puebla, México, 1957), reconhecido fotógrafo documental, é fundador do diário La Jornada, e director e fundador da agência independente de informação fotográfica Imagenlatina. Lecciona workshops de fotografia documental há mais de dez anos, em diversos centros de fotografia e universidades públicas e privadas de México.

Foi jurado da Bienal de Fotografia, da Bienal de Fotojornalismo, do Programa de Fomento a Projectos e Investimentos Culturais do Fundo Nacional para a Cultura e Artes. Para além disso, fez parte do comité que atribui o Prémio Nacional de Ciências e Artes, no campo da Belas Artes, concedido pela Secretaria de Educação Pública.

Do seu vasto currículo constam diversos prémios e galardões: a Bolsa de Produção da IV Bienal de Fotografia em 1986, com o seu ensaio La Hija de los Apaches, sobre uma loja de pulque [1] com o mesmo nome; o Primeiro Lugar no concurso fotográfico Imagens da Fronteira, Festival Internacional da Raça do Programa Cultural das Fronteiras, em 1992; as menções honrosas da VI e XI Bienal de Fotografia de México em 1993 e 2004, e o Prémio Nacional de Jornalismo Cultural Fernando Benítez em 1998. Cruz foi finalista do Prémio Novo Jornalismo da Fundação Nuevo Periodismo Iberoamericano – CEMEX, 2001 e vencedor do Prémio Internacional de Fotografia The Grange Prize, Canadá-México, em 2009, com o seu ensaio sobre a cegueira no México.

A sua obra tem sido apresentada em exposições individuais e colectivas no México, nos Estados Unidos, no Canadá e na Europa. Entre as suas publicações destacam-se Contra la Pared. Violencia en la Ciudad de México (Grupo Desea, 1993) e Cafetaleros. Trabajadores indígenas del café en Chiapas (Imagenlatina, 1996). Como editor, produziu as antologias Fotografía de Prensa en México. 40 Reporteros Gráficos (Imagenlatina, 1992), Espejos en plata. Fotoperiodismo Morelense (Instituto de Cultura de Morelos, Sociedad de Fotoperiodistas de Morelos, A.C. 2000) e o livro de Raúl Ortega, De Fiesta (DGE / Equilibrista, 2003).

Actualmente é editor da agência ProcesoFoto, que pertence ao conhecido semanário Proceso e vive na Cidade do México.

www.marcoacruz.com/

[1] Bebida alcoólica, branca e espessa, do planalto mexicano, que se obtém através da fermentação de hidromel ou sumo extraído da piteira.

Última Actualização: 8 de Abril de 2015